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The Summer Hunter Mag #001

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D I S T R I B U I Ç Ã O G R AT U I TA•Ta u a n aSofia•Tr a n s p i r a•ApartamentosMadama Br000 na • Cabo Polonio • Ficção • Lano -Altove rdes# 0 0 1 • V E R ÃO 2 0 19Solstício•Te n d ê n c i a s2019W W W .T H E S U M M E R H U N T E R . C O M•Letrux• 12Ru a Lu i s An h a i a, 9 1 , 0 5 43 3 - 02 0, Vi l a M a d a l e n a, S ã o Pa u l o, S P, B r a s i l . Re ce b a e m c a s a : h e l l o @ t h e s u m m e r h u n t e r. co mC a m i l a Fr a ga Fa b i a n a Co r rê a Fe r n a n d a Fr a z ã o Fe r n a n d a N a s ci m e n to Gabriel Cabral Ka re e n S ay u r i Le t í ci a I p p o l i to Lu ci a n a S o ga M o i s é s Al m e i d a Rafa e l B i t t e n co u r t Re n a n F l u m i a n R i c a r d o M o re n o Ta u a n a S of i aexpedienteTH E SUMM E R H U NTE R o nosso sol A gente sabe que agora tudo é digit al, mas o verão chegou e e s s a exp e r i ê n ci a é re a l d e m a i s p r a f i c a r a t r á s d e u m a te la . Faz te mp o que cor remos atr ás do sol e nossos p os t s es t ão lá par a provar — os mais de 70 0 que pro duzimos e m parceria com as marcas que a gente ama ou sobre os assuntos que queremos espalhar pr a to do mundo. M a s é q u e ve r ã o é c a l o r, é su o r, é o l h o n o o l h o, p e l e co m p e l e . E p o r is s o d e ci d i m o s te e n t re ga r n a m ã o a p r i m e i r a e d i ç ã o d a revis t a d o T h e Su m m e r H u n te r. N ã o é p o rq u e é fe i t a d e p a p e l q u e n ã o p o d e m o l h a r, e n c h e r d e a re i a o u m a n ch a r d e p ro te to r s o l a r. Po d e a té e s q u e ce r d o l a d o d a lareira, num dia frio naquela casa no meio do mato. P o r q u e, p r a n ó s , ve r ã o n ã o é s ó u m a e s t a ç ã o d o a n o . É u m e s t a d o d e e s p í r i t o, é a p r ove i t a r a v i d a , o s a m i g o s , uma viagem. Já que nada é tão bom se não for c o m p a r t i l h a d o, r e s o l ve m o s d i v i d i r c o m vo c ê a s c o i s a s m a is l e ga is q u e f ize m o s e s te a n o . Ve m co m a ge n te vive r e s s e ve r ã o q u e n u n c a a c a b a . 3marcas que acreditam na gente4Paradise is a state of mind Where Mother Nature nurtures and man is kind We need a change now wouldn’t it be nice If we could bring back summer “Summer in Paradise”, The Beach Boys5FOLLOW FOLLOW FOLLOW FOLLOWTHE SUN NOT NOT NOT NOTNOT NOT NOT NOTFASHION TEXTO MARÍLIA KODIC 6Mais do que uma estação do ano, verão é um estado de espírito. E para irradiar as atitudes solares que nos inspiram no dia a dia, o The Summer Hunter criou, junto com a Ahlma, uma colabe batizada de Solstício, o momento do ano em que se tem o dia mais longo, a noite mais curta e o começo do verão mais incrível. Aproveitamos nosso mergulho nesse universo solar para listar os destinos, as pessoas e as atitudes sobre os quais devemos ouvir falar no próximo ano. Mas nada de tendência ou hype. Porque nós gostamos mesmo de seguir o sol, não a moda. E é isso que está nas lojas na nossa coleção.1.TR A N S P O R TETudo compartilhado Impulsionados pelos apps de transporte alternativo, os moradores das metrópoles estão abandonando a posse de carros — e é na esteira desse movimento que as opções de locomoção vêm se diversificando, oferecendo compartilhamento não só de bikes, mas também de carros e patinetes elétricos.2.M Ú S I CAMC ThaNo funk desde seus 15 anos, MC Tha é uma das mais interessantes expoentes da nova safra do ritmo, fazendo um trabalho que dialoga com diferentes estilos brasileiros — forró, brega, rap, MPB — numa mistura criativa e dançante. Em sua bagagem, uma faculdade de jornalismo, diversos projetos culturais e a amizade e influência do cantor Jaloo.3.B E M - E S TA RDerivados da cannabis Distanciando-se dos estereótipos, a cannabis tem movimentado um mercado bilionário. Usados há anos no tratamento de doenças, os derivados da substância agora aparecem em cremes faciais, incensos, gotas, vaporizadores e até espaguete. O motivo: sua ação antidepressiva, analgésica, antioxidante, calmante, anti-inflamatória e por aí vai.4.SAÚ D ESilicon Valley se volta para a saúdeAs empresas do Vale do Silício estão focadas em desenvolver soluções tecnológicas para a saúde: até 2022, estima-se um investimento de US$ 410 bi. A Apple já está testando um aplicativo que pode diagnosticar doenças.7.B E M - E S TA RMeditação transcendental5.NEGÓCIOSEmpreendedorismo de periferiaFOTOS: 2. CASSIUS MEIRELLES, 6. ANDRE STEFANO, 7. STEPHEN SANDIAN E 8. LANO-ALTOAs periferias das grandes cidades se transformaram em incubadoras de negócios criativos e de empreendedores guerreiros, como a Original Favela. Gente que achou uma saída para a falta de recursos e perspectiva, montando desde brechó a rede de escolas de inglês.6.CONSUMOLojas zero waste Nada se perde, tudo se transforma. A máxima de Lavoisier, proferida há mais de 200 anos, cabe bem na filosofia das lojas zero waste, ou desperdício zero. Além de vender itens como canudos de vidro e inox, lojas como a Ahlma, no Rio, e a Mapeei, em São Paulo, promovem cursos e conversas sobre veganismo e consumo consciente.Após uma turnê caótica, os Beatles foram à Índia ao encontro do guru Maharishi Mahesh Yogi, criador da meditação transcendental. Difundida pela banda mais aclamada do planeta, só agora a técnica se populariza no Brasil. À base do uso de mantras, ao contrário de outros tipos populares de meditação, ela tem o diferencial de reduzir de fato a atividade do cerebelo.8.LI FE S T Y LEUrban farmingCom a tendência de valorizar alimentos locais e sazonais vem um crescente interesse também por retomar o controle de processos que nos acostumamos a terceirizar. Assim despontam as fazendas urbanas — espaços repensados para a produção agrícola sustentável — e iniciativas como a Lano-Alto, no interior de São Paulo, do casal Peèle e Yentl, que vende de mel a workshops de como construir uma casa sustentável.9.C O M I DACipó-alho da AmazôniaTapioca, açaí, guaraná. A cozinha amazônica influencia o que se come no Brasil e no mundo, e a nova moda é o cipó-alho, que ganha os pratos da região por ter o sabor do alho, mas mais suave.11.E S P O R TECiclismo de estrada Praticamente ignorado pela mídia brasileira até pouco tempo atrás, o ciclismo de estrada vem ganhando força no Brasil. Realizado em estradas, em speed bikes, o esporte trabalha, sobretudo, o ritmo e a resistência.10. M Ú S I CAPlataforma para novos artistas O SoundCloud está com um projeto para ajudar novos cantores, como a colombiana Kali Uchis, a ganharem dinheiro. A empresa está lançando o Premier — ferramenta de monetização que paga ao artista mais de 50% da receita gerada pela reprodução na plataforma —, antes disponível só por convite, para centenas de milhares de artistas que oferecem suas gravações.12. C O M I DAComplementos proteicos veganos Com o consumo mundial de carne em xeque, surgem cada vez mais alternativas à proteína animal. No Brasil, como diz Marcos Leta, a era do whey finalmente ficou para trás. Fundador das bebidas Do Bem, ele acaba de lançar a Mother, com produtos feitos à base de proteína de ervilha.13. M O DAFrutas como matéria-primaFOTOS: 11. DIEGO CAGNATO, 14. NASA, 15. XENI4KA E 16. JULIANA ROCHAFazendo circular a cadeia produtiva ao ressignificar o lixo, marcas estão investindo em cascas de alimentos para criar novos produtos. Na Bio & Green, a cana-de-açúcar é convertida em vasos; na Ananas Anam, folhas de abacaxi imitam o couro; e, na Orange Fiber, laranjas são transformadas em tecido.14.LI FE S T Y LEFé na astrologia As novas gerações estão menos céticas do que nunca, mas, em vez de se concentrar numa religião tradicional, sua fé se ramifica em credos diversos. Graças à rapidez e informalidade da internet, a astrologia moderna vem surfando essa onda, com mercúrio retrógrado alçado a status de celebridade e astrólogas como Br000na e Papisa interpretando os astros com humor, memes e linguajar descomplicado. Novos tempos!15. D E S TI N OAtins, Maranhão Como acontece com todos os pequenos paraísos que recebem os disputados réveillons da Mareh (e não à toa), o vilarejo de praias, dunas e lagoas cristalinas de Atins, no Maranhão, sede da virada para 2019, está com os dias de anonimato contados. Corra antes que seja tarde!16. M O DABiquínis, maiôs e tops absorventes As calcinhas da Pantys são biodegradáveis, antibacterianas e absorventes — mas também podem ser usadas fora do ciclo menstrual. E, neste verão, a tecnologia patenteada surge numa coleção de biquínis, maiôs e tops, em cocriação com a Ahlma. Lindas e funcionais!11The Summer Hunter e Ahlma celebram a chegada do verão em colabe inéditaE N SAI Os o l s t í c i o12C A M P A N H A C O C R I A D A P O R @ A H L M A . C C + @ N E B U L A . L A B | F O T O S @ M O A | S T Y L I N G @ G U I L H E R M E A L E F DIREÇÃO DE ARTE @HUGSTE X | BELEZA @FERNANDA SUZ Z | PRODUÇÃO DE SET @JESSCIR | PRODUÇÃO EXECUTIVA @MOEMA | CASTING: @VCECAT TO, @OSREISFARIAM, @FUMANDOFILTRO, @DOUGL ASSOUZ A E @JEANCARLOSPRETOPE R F I LYentl e Peèle da fazenda Lano-Alto, e a nova vida ruralTEXTO FABIANA CORRÊA1415PE R F I LSentado na varandaenquanto Yentl passa um café na Chemex, Peèle conta que o sabor do mel que a gente conhece é apenas umentre os muitos que ele experimentou nessa fase rural de sua vida. “Existem centenas de espécies de abelhas no Brasil e a gente só conhece o sabor do mel de uma que, aliás, é europeia”, diz. Os sabores do mel, a quantidade de galos para cada galinheiro, com quantos paus se faz uma cabana. Esses foram apenas alguns dos aprendizados que Yentl Delanhesi, 30 anos, e Peèle Lemos, 36, adquiriram desde que mudaram para a vila Catuçaba, a 200 km de São Paulo, há quatro anos, e passaram a levar uma vida de fazendeiros.16É lá que fica a Lano-Alto, a fazenda de 480 mil m2 que os dois compraram há uma década, quando ainda eram publicitários em São Paulo. Numa temporada em Los Angeles descobriram o urban farming, a onda dos fazendeiros urbanos que se multiplicam pela Califórnia, em que plantar e produzir o próprio alimento virou estilo de vida. “Eu fiz um curso de queijaria e fui trabalhar como estagiário em uma fazenda de cabras”, conta Peèle. Até que veio um convite para trabalhar em Inhotim, repensando os rumos do instituto, e os dois passaram meses vivendo no meio do mato. A vida naquele silêncio todo tocou fundo e a LanoAlto virou casa, onde Yentl e Peèle criam a pequena Pilar, de 1 ano e meio, trabalham no campo, produzem queijos e doces, cuidam dos animais — vacas, cabras, porcos, galinhas — e recebem hóspedes igualmente interessados nos saberes e fazeres rurais. Mas com esses donos, essa não poderia ser uma fazenda comum. A prova é que, hoje, parte de sua fonte de rendaacontece por conta de redes sociais. “A gente vende nossos workshops e a produção para uma galera que nos conheceu pelo Instagram, que nunca teríamos encontrado de outra maneira. E isso é muitomágico”, diz Yentl. Os workshops, que variam entre a construção de uma cabana de madeira e a produção de pamonha desde a colheita do milho, bombam. Essa troca de ensinamentos também acontece ali, em Catuçaba, entre eles e os locais. Quando caminhamos pela fazenda, Peèle aponta João, funcionário da LanoAlto, trançando cestos de taquara. “É incrível o que eles sabem quase naturalmente”, diz. Ele mostra também os porcos e conta que o animal do vizinho está ali para fecundar a fêmea da fazenda. Quando tiverem filhotes, cada um dos donos fica com metade da cria. “A gente acha que inventou essa história de shared economy. Que nada!”, diz. A empreitada mais recente do casal é a de construtores. Peèle encontrou um terreno à venda ali por perto, contou a alguns casais de amigos e três aceitaram dividir a terra. Contrataram o fazendeiro para erguer as casas, com o conhecimento que veio das trocas com os locais e dos vídeos que assiste à noite no YouTube. É assim que Peèle e Yentl constroem seu saber, misturando todos os mundos pelos quais passaram. E lávoltamos aos conceitos da economia compartilhada, do escambo de talentos e das múltiplas carreiras ao longo da vida. Nada que não existisse há centenas de anos, mas que na Lano-Alto se soma a um olhar contemporâneo, às vezes artístico, de quem valoriza o que sempre esteve lá. A gente é que não sabia.1718Quem é a astróloga millennial do momentoMADAMA BR000NAPE R F I LHá dois anos, a advogada largou a vida no escritório para virar a Madama Br000naFOTOSCAMILA FRAGATEXTOFABIANA CORRÊAEla fala compulsivamente. Mas também sabe parar para ouvir histórias — e as que chegam até ela são muitas. É determinada, talvez até um pouco teimosa. Quer um amor ao seu lado. Poderia dizer que Bruna Paludo tem tudo a ver com seu signo natal, Touro, se eu entendesse qualquer coisa sobre esse assunto. Mas a própria rejeita esse negócio de que “fulano é assim porque é de Touro”. “Se a gente considerar a posição do Sol, ascendente e da Lua para cada signo, já temos mais de 1.700 combinações. Como é que dá pra dizer que o signo determina tudo?” Mas nos vídeos no YouTube, Madama Br000na, seu alter ego nas mídias sociais, diz que “taurinas são fofas, todo mundo ama” e que “um Mercúrio em Touro é sempre bem viado”. Claro, tem um tanto de verdade. Afinal, ela estuda astrologia a sério. Mas essas aparições têm um quê de meme — a linguagem universal dos millennials, geração que Bruna não se cansa de dizer que representa. “Nosso humor hoje é politicamente correto. Pelo menos dá pra fazer piadas com os signos que ninguém vai se ofender.”19“Sufoquei a busca pela espiritualidade durante anos”PE R F I LEsse jeitinho deu certo. Madama Br000na tem 119 mil seguidores no Instagram e ganhou uma série no canal da Vice Brasil. “As coisas começaram a dar muito certo quando vim pra São Paulo. Aqui ninguém acha estranho meu cabelo rosa e eu não preciso me definir.” Não mesmo: é taróloga e astróloga, faz frilas para agências de mídias sociais e se diz pansexual. “Não me importo com o que a pessoa tem entre as pernas, o que importa é o amor”, diz. A Bruna longe das mídias sociais é meiga, está em um relacionamento “de verdade”, morre de saudade da família que ficou em Porto Alegre e defende seus ideais “feminazi” com tudo. Quanto ao seu trabalho20esotérico, digamos assim, é muito cautelosa e ciente do poder terapêutico de suas consultas. “Faço análise há dez anos. Sei que tarô não é terapia, mas recebo pessoas em uma situação de muita fragilidade e preciso trazer uma reflexão em vez de fazer previsões.” A astrologia que pratica prefere análises do momento ao invés de tentar antever o futuro. Tudo isso é meio novo. Aos 30 anos, Bruna percebeu que o tal retorno de Saturno não estava para brincadeira. Até 2016, morava em Porto Alegre, estava casada havia oito anos, era advogada e se preparava para um concurso público. O ambiente era bem careta e ela não podia mostrar as tatuagens que começou a fazer anos antes, meio que como uma rebeldia aos limites que criou para si mesma. É que a vida já começou meio puxada. Quando era criança, a mãe viajava muito a trabalho e foi morar com os avós evangélicos. Com eles, ia à escola dominical. “Tenho memórias afetivas da Bíblia”, conta. Daí, partiu para os conhecimentos esotéricos.Foi atrás da wicca, a religião das bruxas, quando estava na escola. E essa era só uma de suas excentricidades. Aos 15 anos, quando a mãe ficou doente, foi procurar respostas no espiritismo. Daí a gente vê porque ela é toda trabalhada na espiritualidade. “Eu sufoquei essa busca durante anos”, fala, lembrando que, antes de fazer 18, resolveu ser uma garota certinha, responsável por ela mesma e pelo irmão caçula. Mas a vida cobrou o preço e Bruna se deprimiu. Quando o namorado comprou um livro de astrologia para animá-la, o clique veio e ela largou tudo para fazer um curso de tarô em São Paulo. Os clientes vieram primeiro do grupo de amigos, depois dos amigos deles, e Madama Br000na não parou mais. “Agora me sinto mulher, adulta, passei até a sensualizar no Instagram”, ri.21VIAG E Mca bo po lo nio 22E S S A R E S E R VA N O U R U G U A I É O O P O S T O DA P R A I A PA R A D I S Í AC A . E POR ISSO VOCÊ TEM QUE IRJorge Drexler são parte da poesia de Cabo Polonio. Esse é o tempo em que parte do lugar fica no escuro, enquanto o farol centenário ilumina o outro lado. Como a luz elétrica não existe por ali e os geradores são limitados por lei, a escuridão permite ver as estrelas como em poucos lugares do planeta. Mas não se preocupe muito com ela – a escuridão. Por conta da posição geográfica do Cabo, no verão só anoitece por volta das 21h. Isso quer dizer que dá para curtir a praia até bem tarde. Elas não são particularmente bonitas em Cabo Polonio. Mas esse lugarzinho extremo no Uruguai tem algo especial. A primeira coisa: é inóspito, distante, meio abandonado no tempo de uma certa forma. Como se trata de uma reserva de biosfera da Unesco, é proibido ir de carro para Cabo, que está a 250 km de Montevidéu e 100 km do Chuí, no Rio Grande do Sul. Esse é um privilégio dos moradores – não mais que 50 famílias que foram para lá nos anos 1960.De um lado está a Playa Sur, mais bonita, com areia fofa e clara, com mar bem rasinho. Na encosta de pedras, dezenas de casinhas brancas com varanda. Uma coisa meio Grécia, mas muito mais rústica. É ali que fica um bar de praia bacaninha com boa comida e bons vinhos locais. Do outro lado, uma praia de areia batida, cheia de pescadores e surfistas, um lobo-marinho ou outro e muitas dunas – as mais altas do Uruguai. Fica mais perto das dezenas de hostels de Cabo e do único hotel mais estruturado que existe por lá, o La Perla del Cabo. No meio, uma vila muito hippie. Com lojinhas de roupas tie dye e objetos esculpidos em madeira, gente descalça não importa a temperatura, mochileiros do mundo todoe surfistas saídos dos anos 1970. Sem asfalto, obviamente, nem máquina de cartão de crédito. Sem essa de pós-luxo ou do “luxo está na simplicidade”. Aqui é só simplicidade mesmo, sem luxo. Andando em direção ao farol, a coisa vai ficando mais rural. Finalmente, chegamos à maior atração de Cabo: os lobos-marinhos. São milhares deles. Leve a canga, ponha numa pedra e esqueça do tempo olhando o espetáculo que são esses bichos juntos. No inverno e na primavera, baleias jubarte podem ser avistadas em alguns locais, mas não é algo fácil de ver, então se contente com os lobos. Eles já valeriam a viagem até Cabo, se não fosse por todo o resto.Os lobos-marinhos que ficam nas pedras perto do farol já valeriam a ida até lá, se não fosse por todo o restoos doze segundos de escuridão que dão nome à música de2324FABIANA CORRÊATEXTOEncher a casa de plantas virou estilo de vidaR E P O R TAG E M25GABRIEL CABRALMorar no meio do verde não é um sonho pra essa galera. Em vez de passar os dias querendo uma casinha no mato, eles transformaram seus apartamentos em selvas particulares. Mas com muita curadoria. São samambaias, costelas-de-adão, pacovás, jiboias, dracenas, chifresde-veado e muitas suculentas para quem está começando no ramo.26Nina Levy transformou o hobby em profissão e desde 2014 vende plantas, buquês, vasinhos e outras delicadezas na Amapá FlowershopR E P O R TAG E M No apartamento em São Paulo que divide com três colegas de profissão, o arquiteto Guido Otero cultiva muitas dezenas de plantas. Um minhocário enriquece a terra dos vasos e a pequena horta de temperos. “Cuidar das plantas te leva pra outra dimensão. E é muito gostoso saber que estou nutrindo um ser vivo”, diz Guido. Desde que esse ser vivo não emita sons. “Cachorros e gatos não estão nos planos. As plantas bastam por enquanto.” Aqueles vasos que nossas avós tinham no quintal ganharam releituras das novas lojas verdes. Nina Levy é dona de uma delas, a Amapá Flowershop, que montou junto com a mãe, Kika. Inspirada pelo trabalho do marido, Felipe, marceneiro formado em gestão ambiental que tinha um projeto de jardinagem com crianças carentes, ela começou a fazer vasinhos para dar de presente aos amigos. “Em 2012, viajei para Nova York e vi aquelas lojinhas lindas, cheias de suculentas. Voltei querendo fazer algo no est
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