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O Mundo no Ano 3000

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O MUNDO NO ANO TRÊS MIL PEDRO JOSÉ SUPICO DE MORAISIlustrações de Vidal JúniorEsta obra respeita as regras do Novo Acordo OrtográficoA presente obra…
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O MUNDO NO ANO TRÊS MIL PEDRO JOSÉ SUPICO DE MORAISIlustrações de Vidal JúniorEsta obra respeita as regras do Novo Acordo OrtográficoA presente obra encontra-se sob domínio público ao abrigo do art.º 31 do Código do Direito de Autor e dos Direitos Conexos (70 anos após a morte do autor) e é distribuída de modo a proporcionar, de maneira totalmente gratuita, o benefício da sua leitura. Dessa forma, a venda deste e-book ou até mesmo a sua troca por qualquer contraprestação é totalmente condenável em qualquer circunstância. Foi a generosidade que motivou a sua distribuição e, sob o mesmo princípio, é livre para a difundir. Para encontrar outras obras de domínio público em formato digital, visite-nos em: http://www.luso-livros.net/SOBRE A OBRA E O AUTORPublicada pela primeira vez em Portugal em 1895, esta é a primeira obra caracterizada como sendo de ficção científica, escrita em língua portuguesa um tema literário inédito na época, não só em Portugal mas também no resto do mundo. Ela não é, contudo uma obra original. Trata-se de uma adaptação literária da obra "Le Monde tel qu'il Sera" do escritor francês Émile Souvestre, escrita em 1846 que foi escrita com a intenção de ser uma obra de carácter moral (isto é, uma apologia de advertência a condutas morais) mas cujos elementos de fantasia e projeções de tecnologias futuras deram-lhe mais notoriedade como sendo uma referência literária sobre um tipo de ficção com premissas sobre as potencialidade de realização e invenção do Homem no campo tecnológico e científico, tornando-a, portando, numa das primeiras obras do mundo a ser reconhecida como uma obra de ficção cientifica. De facto, a obra de Émile Souvestre é uma das principais influências do seu conterrâneo, Júlio Verne, escritor que viria a popularizar e a consagrar a ficção científica como um tema literário legitimo. Falamos de "Adaptação" da obra de Émile Souvestre e não de "Tradução" porque de facto esta obra difere em muitos aspectos da obra original, tendo mais elementos de humor e tendo situações e personagens alteradas, omitidasou acrescentadas para se coadunar à realidade social portuguesa do século XIX. As primeiras edições da versão portuguesa foram publicadas sem autor declarado (nem sequer a referencia à obra que imitava), sendo as posteriores atribuídas a um tal de Pedro José Supico de Morais. Hoje sabe-se que esse é apenas um pseudónimo do Sebastião José Ribeiro de Sá, um fidalgo, comendador e representante oficial do Estado Português no país e no estrangeiro, que escrevia ocasionalmente artigos para jornais. Ribeiro de Sá era um entusiasta do desenvolvimento tecnológico, que defendia aliás para o seu país, escrevendo vários artigos sobre o assunto motivo pelo qual se deve ter interessado na obra de Émile Souvestre. Será, no entanto, preciso fazer-se notar que a obra, no seu todo, apresenta uma imagem relativamente negativa em relação à tecnologia, pois é apresentada em paridade com uma visão grotesca (e cómica) de uma sociedade futura completamente disfuncional. É preciso lembrar que foi na segunda metade do século XIX que, em Portugal, se deu o período o que se convencionou chamar de "Regeneração" - época que deu inicio à revolução industrial portuguesa, que trouxe para Portugal, entre outras coisas, as indústrias fabris mecanizadas, as vias férreas, o telégrafo e o telefone. Tal como hoje, as novas tecnologias levantavam receios e medos, não porque elas fossem intrinsecamente maléficas, mas no que a ambição humana as poderia transformar. Provavelmente, Ribeiro de Sá, apesar de ser um progressista,também teria noção do lado negro ou das consequências nefastas do progresso, daí ter pegado na obra de Émile Souvestre numa tentativa de alertar para essa possibilidade. Sobre esse aspeto é também preciso fazer notar que a obra de Émile Souvestre é também a primeira obra literária a falar sobre uma sociedade distópica- termo que foi cunhado no século XX, para descrever um tipo de sociedade nefasta. No "Mundo no Ano 3000" não existem nações; a sociedade é global e regida pela "Republica dos Interesses-Unidos", cuja capital é a "Cidade Sem Igual" que se situa na "Ilha do Negro Animal", anteriormente chamada de Taiti. Apesar do mundo beneficiar de um extraordinário desenvolvimento tecnológico - As casas são totalmente automatizas, por exemplo, desde a cozinha até aos quartos; as pessoas movem-se pelo ar com "sapatos a vapor", ou pelos túneis subterrâneos em transportes tão rápidos que "fazer uma viagem" consiste somente em "partir e chegar” - o mundo é controlado e formatado segundo a vontade autoritária da "Republica dos Interesses-Unidos". As crianças, por exemplo, não têm pais e são alimentadas por máquinas a vapor até à idade da desmama; altura em que lhes é definido um propósito social e delineado por um plano de estudo na "Universidade das Vocações Unidas" onde só aprendem o prático e o essencial para a realização da sua profissão futura atribuída.Outro caso: O jornal mais lido da Republica, chamado "A Grande Peta", é distribuído – tal como o correio, em geral ─ em canalizações por vácuo desde o centro de produção até às mãos dos leitores que podem seleccionar as partes que lhes interessava ler (uma espécie de Internet mecânica operada a vapor), mas o conteúdo apresentado é somente aquele que obedece aos princípios ditados pela "Republica dos Interesses-Unidos" do dinheiro fácil, dos lucros chorudos, da exploração e da especulação financeira. A obra é assim uma precursora de temáticas que se viram a desenvolver por todo o século XX e que ainda hoje constituem temas de debate.AVISOA história mais antiga começa no princípio do mundo; a mais estendida e continuada acaba nos tempos em que foi escrita. Esta nossa começa no tempo em que se escreve, continua por toda a duração do mundo, mede os tempos vindouros antes de virem, conta os sucessos futuros antes de sucederem, e descreve feitos heroicos e famosos antes da fama os publicar e de serem feitos. Ouvirá o mundo o que nunca viu, lerá o que nunca ouviu, admirará o que nunca leu, e pasmará assombrado com aquilo que nunca imaginou. E se por acaso puserdes os olhos neste livro, entendo que nem eu ficarei sem lucro, nem vós sem proveito.PRÓLOGOCAPÍTULO IImagine o leitor, ainda mesmo que não seja benévolo, um homem e uma mulher, ambos no verdor dos anos, encostados ao parapeito da janela de uma trapeira. Se acha a imagem prosaica, observe que a janela está como forrada, pelos ramos dos arbustos de uns alegretes, improvisados naquelas alturas. O par, que por esta forma tivemos a honra de apresentar ao leitor, desperta com a sua conversa as aves-abrigadas nos artificiosos ninhos que se enredam e apegam às telhas. O gorjeio extemporâneo das aves acompanha, portanto, o diálogo que vamos referir. Marta descansa com um dos braços no ombro direito de Maurício; e tanto um como outro, olham para o abismo envolto em grossas massas de sombra, que lhes fica fronteiro, e se projeta até ao horizonte. Nesse abismo, que só a vista pode penetrar à força de o ver, aparece a princípio o fundo azul estrelado do céu, surgindo mais em baixo as trevas pavorosas de Paris. Maurício olha para a capital da França: Marta só olha para o céu. A vista de Marta, como se estivesse cansada de andar errante de estrela para estrela, fitou Maurício, pousando o braço mais afetuosamente no ombro dojovem, até que a boca encantadora de tão graciosa mulher fez ouvir o murmúrio de um beijo. — Em que pensas? disse ela a Maurício. Estas palavras são o brado impaciente com que reciprocamente se chamam, duas almas que se procuram uma à outra e se não veem, como se fossem duas irmãs perdidas nas trevas da noite, não ousando dar um passo sem mutuamente se interrogarem. Um romancista aproveitaria a contemplação deste quadro para fazer dois retratos, por meio dos processos modernos da análise do microscópio, tanto em voga nos romances. Diria que achava nos olhos azuis de Maurício, esfumados sob as pálpebras, a aspiração para quanto é desconhecido ou incógnito ao espirito humano: nas azas proeminentes e agitadas do nariz, a inquietação da audácia; e nos lábios entreabertos, a ternura expansiva; e finalmente no lodo daquele jovem, a personificação desta geração investigadora, impaciente e inconstante, que sempre quer mas que nem sempre sabe. Pelo que diz respeito a Marta, o mesmo autor, vendo-lhe as fontes cobertas pelas madeixas ondeadas de cabelos prelos, o olhar terno, casto e corajoso, acharia em todas estas circunstâncias os indicadores da beleza da mulher, da santa e da heroína.Resolvemos não fatigar o leitor com tão poéticos sinais, porque provavelmente ficaria tão indeciso como qualquer empregado da policia, quando lê o passaporte de um cidadão, que o rei lhe recomenda, pelo importe do selo. Daremos apenas mais alguns traços neste esboço, para que se percebam certas frases mais especiais do carater de Maurício. Apesar de ser jovem e estar enamorado, não era egoísta. Tinha mais a peito os destinos da humanidade do que se podia esperar da sua idade e condição. Desgostoso por ter contemplado tantos sofrimentos sem alívio, tantas desgraças sem esperança, meditava na felicidade humana, como se fosse coisa que em verdade valesse a pena, e chegava a pensar porque meios ela se poderia obter, apesar de não ter sido mandado pelo governo, com boa paga, estudar nem sequer beneficência aos países estrangeiros. Neste intento comentou as obras dos que se condecoram com o título de pensadores, e que não descem dos grandes princípios, ou do que não melhora nem piora a humanidade. — Estudou os publicistas, historiadores e jurisconsultos, os quais lhe provaram que no regime de todas as constituições, o maior número de indivíduos morria de fome e o menor de indigestão, trazida quase sempre da mesa lauta do orçamento: acrescendo que os códigos eram semelhantes a mares enganadores, que tragavam nas ondas fiscais os barcos do contrabandista peão, enquanto o navio do honrado e abastado especulador, navegava a pano largo até ao ponto da costa mais conveniente para o desembarque ilegal. Recorreu aos economistas e estatísticos, que opassearam seis meses por entre as suas aprumadas colunas de algarismos, para lhe provarem a final que neste mundo tudo estava como devia estar, e que o mais comodo era deixar ir as coisas como iam, sem as sujeitar a regras, nem conveniências. Não tendo dado um passo no seu estudo por estes meios, recorreu aos livros dos socialistas, e viu que a caixa de Pandora está multiplicada pelo número deles; cada um possuía o seu elixir para felicidade do género humano. O bom que existia nessas obras era como trigo afogado em joio. Os estudos de Maurício, unicamente serviram para o fortalecer na fé que tinha no futuro, terra de promissão para os que não compreendem o presente. A influência fascinadora da lua de mel, não lhe arredou o espirito desses graves pensamentos, pois que Marta tomou parte nelas, e o que poderia ser como uma separação, foi mais um laço da aliança legal que os prendia um ao outro. As suas duas almas, reunidas na mesma esperança, irradiavam como de um mesmo foco, a luz dos pensamentos, que abrangia todas as idades e situações; eram esposos que se amavam na humanidade. O leitor fará o obséquio de notar, que estas explicações indispensáveis são o que os gramáticos chamam uma proposição incidente, devendo nós portanto fechar o parêntesis (que não foi pequeno) para tomarmos o fio da narrativa.Maurício voltou o rosto para Marta ao ouvir-lhe a pergunta, e ambos olharam algum tempo um para o outro sem falar, com a expressão própria de quem se ama, à luz das estrelas, e tem vinte anos, mas vive numa trapeira. Ao cabo de demorado silêncio Marta repetiu a pergunta: — Em que pensas? Maurício cingiu-a com um dos braços. — Primeiramente, pensei em ti, respondeu ele; depois comovido por esse pensamento, o meu coração se dilatou nos seus afetos, percebi que me interessava por esse mundo no meio do qual nos estamos amando; e perguntei a mini mesmo o que ele seria no futuro. — Lembra-te à casa em que fizemos conhecimento um do outro? observou Marta. A família que aí morava era composta de crianças renascidas; de donzelas que entravam radiantes de esperança, na primavera da vida, e de pessoas que tocavam no limite da existência... Diz-me: não será assim também o futuro do mundo como foi o seu passado, e como está sendo o seu presente? — Assim será para os indivíduos, mas não para as sociedades, respondeu Maurício. Com a vida que se transmite de geração a geração, e que é sempre semelhante, anda o espirito, que é essencialmente variável. Os homens são como pedras animadas, cada século construi com eles um edifício diferente,conforme os seus conhecimentos e as suas intenções. Até ao presente esses edifícios têm sido a choupana do selvagem, a barraca de campanha, ou uma casa de negócio; mas o grande arquiteto que há de edificar o templo, virá, tarde ou cedo, no espirito de qualquer século: e virá seguramente, porque alguns indícios precursores anunciaram a sua vinda. — Indicai-me esses indícios, disse Marta, aproximando o rosto de Maurício, como se ela estivesse pensando que um beijo seria algum dos sinais percursores de que o jovem falava. — Olha, continuou ele, debruçando-se na janela: que vês diante de ti? — Vejo frocos de nuvens brancas, que se deslizam sobre o azul do céu, e que na minha imaginação fazem o efeito de anjos da guarda que vão voando. — E mais em baixo que vês?... — Vejo no cimo daquele monte uma casa cora luz — é a casa em que te encontrei pela primeira vez. — E mais em baixo ainda, no fundo daquela espécie de abismo? — Aí não distingo coisa alguma: contemplo a noite nessas massas escuras e indecisas. — A noite que estás contemplando, envolve no horizonte que avistamos, um milhão de almas que estão velando, disse Maurício entusiasmado. — Gomo seria belo perceber o que se prepara no escuro daquelas trevas;compreender os rumores longínquos que parecem gemidos; os lampejos que se desvanecem assim que brilham; os vapores que se elevam ao firmamento!... tudo isso é um mundo prestes a ser formado. Todos os seus elementos estão no caos, à semelhança dos primeiros dias da criação; mas quando o sol do tempo se erguer para eles, o futuro sairá das trevas, como a terra saiu das águas depois do diluvio. Marta, não respondeu, mas fascinada pela voz de Maurício, inclinou-se na direção do abismo tenebroso, como se esperasse ver alguma transformação magica. — Desejo como tu conhecer esse futuro tão belo, disse ela a final, com a curiosidade impaciente de uma criança. Se fora possível dormir durante muitos séculos para acordar num mundo mais perfeito! Quem me dera ter tido alguma fada por madrinha! — As fadas há muito que partiram deste mundo, quebrando as varinhas dos encantamentos: cumpre ao génio do homem achar-lhes os fragmentos para as reunir novamente. — Nesse caso o que devemos invocar? Os anjos deixaram de vir à terra, como no tempo de Jacob e de Tobias; Jesus, a Virgem e os Santos, não deixam o paraíso como na idade media, para socorro dos aflitos, ou provação das almas; terão por tanto abandonado o mundo todos os poderes superiores? Não haverá na terra um espirito que possa servir de intermediário entre omundo real e o mundo invisível? Todas as nações, todas as eras tiveram o seu génio protetor; onde estará o génio da era em que vivemos? Quem será ele? — Ei-lo! bradou uma voz intensa, vinda de longe. Os dois amantes admirados levantaram a vista que tinham dirigida para o abismo, e viram avançar aceleradamente sobre os telhados, uma sombra que parou de súbito em frente da janela, dando uma estrepitosa gargalhada com som estranho e metálico. Marta tomada pelo susto tinha recuado da posição em que estava, e Maurício também ficou admirado. Ei-lo aqui! disse a voz agreste e sacudida, chamaram-me, vim. Ao terminar a frase, o recém-chegado fez um movimento que o colocou na mesma linha da luz que a lua projetava sobre a casa em que estavam Maurício e Marta: e ficou portanto visível. Era um homem baixo, vestindo um paletó impermeável, na cabeça tinha um barrete mecânico à semelhança dos chapéus de molas; a gravata era do crinoline; as polainas de pano, no gosto inglês. Em volta do pescoço trazia uma enorme cadeia dourada pelo processo Buolz: na mão direita tinha uma bengala de ferro vazada; e debaixo do braço esquerdo, uma grande carteira, donde saíam alguns títulos de ações de companhias industriais. Em todas aspeças de que se compunha o seu vestuário, estava uma estampilha, em que se lia: PRIVILEGIO PELO GOVERNO SEM GARANTIA NENHUMAPelo que dizia respeito à pessoa era um todo composto do banqueiro e do procurador de causas. Estava comodamente montado na locomotiva inglesa, cujo fumo o cercava de nuvens fantásticas: na garupa trazia a máquina de daguerreotipo da fábrica de Chevalier.Sir John ProgressoMaurício assustado a princípio com esta repentina aparição, ficou sossegado na presença do seu aspeto pacífico. Olhou de frente para o tal homenzinho, e perguntou-lhe quem era. — Quem sou? — repetiu ele chacoteando, com mil bombas, Marta deve sabe-lo. — Eu! exclamou ela, que tremia como varas verdes. — Pois não chamastes há pouco por mim? — Já vos reconheço! sois o génio das trapeiras, o antigo criado de D. Cléofas Zambulo, o diabo Asmodeu. O desconhecido ouvindo isto bateu com o punho cerrado na locomotiva. — Asmodeu! sempre o seu nome... já me admirava de o não ouvir. A fama desse ratão sobreviveu-lhe, não tenho que duvidar. — Asmodeu morreu? — perguntou Maurício admirado. — Ainda agora sabeis a nova? pois já o vosso poeta Beranger o anunciou há muito numa das suas canções. Marta observou timidamente, que não podia saber em tal caso, como se tinham publicado em Paris as suas memórias, que também se representaram no teatro clássico do Rossio de Lisboa, e a sua viagem, que não passou de Paris.— Essas obras são apócrifas! — respondeu-lhe o homem do paletó impermeável: o diabo com ser diabo nunca escreveu essas coisas. Conheci-o perfeitamente, era um insignificante muito maçador, que teve a mesma fortuna do seu primo, um certo fidalgo a quem atribuíam a graça de toda a gente! Felizmente o espirito das trevas já passou da moda e acabou portanto o seu reinado para começar o meu! — O vosso reinado! disseram ao mesmo tempo os dois amantes, sois por acaso?... e parecia que procuravam na mente o nome que lhes deviam dar, ao passo que o homenzinho metia graciosamente dois dedos na algibeira do colete de cachemira francesa, e tirava um bilhete de visita litografado, que apresentou a Maurício. Este leu:SIR JOHN PROGRESSO Membro de todas as Sociedades de aperfeiçoamento da Europa, Asia, África, América e Oceânia Rua de Rivoli — Paris / Casebres do Loreto — LisboaMaurício e Marta cumprimentaram-no atenciosamente. — Vinha de Lisboa, onde fui para examinar as obras de uma companhia de águas e de um matadouro, que demonstram grande atividade em muitosanúncios: preparava-me para examinar os vossos mais recentes caminhos de ferro, quando ouvi a expressão da vontade desta senhora, e depois o seu chamamento: desviei-me do meu caminho para satisfazer a um, e responder a outro. — Acaso podereis satisfazer o desejo de estar dormindo muitos séculos, para depois acordar no mundo aperfeiçoado que foi prometido à humanidade? — E porque não? disse o novo demónio, se o era, afagando vaidoso com o castão da bengala uma das nédias bochechas. Bastará o vosso desejo, para que eu vos faça adormecer já, a fim de acordarem ambos ano 3000. Marta e Maurício olharam atónitos um para o outro. — No ano 3000, repetiu Maurício acrescentando e nesse ano a semente da civilização lançada à terra no presente século dará os seus frutos? — E nesse ano, notou Marta, estaremos juntos como agora, eu e Maurício? No ano 3000 acordareis tão jovens e enamorados como estais, disse o génio do paletó, com o sorrir
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