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  369 REVISTA CONTEXTO - 2011/1 O trágico em Medéia Eduardo Pereira MachadoUniversidade de Coimbradudukuks@hotmail.comRESUMO: O presente artigo versa sobre o imenso mundo da tragédia grega, do qual analisamos a obra Medéia , de Eurípides (1991), abordando-a sob os aspectos da teoria de Aristóteles (2002). Para tanto, conceituamos tragédia, assim como os elementos do trágico – desmedida, peripécia, reconheci-mento e catarse. Dessa forma, aplicamos as teorias na tragédia em estudo e, após, mostramos, em algumas proporções, como se congura o trágico na obra analisada.PALAVRAS-CHAVE: Literatura. Tragédia grega. Aristóteles.ABSTRACT: The present article turns on the immense world of the tragedy Greek, of which analyzes the workmanship Medéia , of Eurípides (1991), approaching it under the aspects of the theory of Aristóteles (2002).For in such a way, we appraise tragedy, as well as, the elements of the tragic one: excessive, turn of events, recognition and catarse. Of this form, we apply the theories studied in the tragedy and, after, we show in some propotions, as the tragic one in the analyzed workmanship is congured. KEY- WORDS: Literature. Greek tragedy. Aristóteles.  370 R EVISTA  S EMESTRAL   DO  P ROGRAMA   DE  P ÓS - GRADUAÇÃO   EM  L ETRAS  - U FES Nos vinte e seis capítulos da  Arte poética  de Aristóteles, de-zessete são dedicados ao estudo da tragédia, visto que o autor apreciava mais este gênero, especialmente em detrimento da co-média. Segundo o autor, tragédia é a imitação de uma ação de caráter elevado, completa e de certa extensão, em linguagem ornamentada, e não por narrativa, mas mediante atores, e que, suscitando o terror e a piedade, tem por efeito a puricação des -sas emoções : É a tragédia a representação duma ação grave, de alguma extensão e completa, em linguagem exornada, cada parte com o seu atavio adequa-do, com atores agindo, não narrando, a qual, inspirando pena e temor, opera a catarse própria dessas emoções (ARISTÓTELES, 2002, p. 24). Para uma tragédia ser bem-sucedida, deve apresentar alguns elementos, dos quais, para este estudo, interessam-nos a hybris, a peripécia, o reconhecimento, e a catarse.Hybris, contemporaneamente também chamada de desmedi-da, é o erro – ou os erros – que a personagem comete, sendo esse geralmente trágico. A hybris ou desmedida é consequência de um contexto de insatisfação da personagem que, em função de um impulso, de um instinto ou de algo que lhe foge ao controle provocará, nela, uma ação que se mostrará como um “erro”, pois irá desestabilizar seu universo físico e psicológico, tanto quanto o das personagens que vivem em torno de si. Peripécia é a inversão dos fatos no decorrer dos acontecimen-tos, ou seja, os acontecimentos ocorrem de maneira contrária à  371 REVISTA CONTEXTO - 2011/1 esperada pela personagem, ocasionando, então, a peripécia, as- sim denida por Aristóteles :  “Peripécia é uma viravolta das ações em sentido contrário, como cou dito; e isso, repetimos, segundo a verossimilhança ou necessidade” (ARISTÓTELES, 2002, p. 30). Isso implica dizer, também, que a peripécia não pode ocorrer de modo “forçado” – é preciso que seja verossímil e necessária, que tenha uma coerência na progressão de elos da narrativa trágica. Por reconhecimento entendemos a passagem do desconhe-cido para o conhecido, ou seja, alguma coisa acontece – que muitas vezes se manifesta em forma de peripécia – e essa ação provocará um reconhecimento a posteriori  . Pode aplicar-se a uma determinada situação ou, mesmo, a qualidades, “defeitos” e sentimentos de uma personagem, sobre a qual, antes, não havia esse conhecimento :   O reconhecimento, como a palavra mesma indica, é a mudança do desconhecimento ao conhecimento, ou à amizade, ou ao ódio, das pessoas marcadas para a ventura ou desdita (ARISTÓTELES, 2002, p. 30). A catarse, por m, nada mais é do que a puricação das emoções através dos sentimentos de terror e de piedade. Nesse sentido, as tragédias gregas – como depois as romanas – podem ser compreendidas como “didáticas”, pois visavam, de certa for-ma, manter um equilíbrio entre o ser humano e o cosmos que integrava. Isso signica que, quando o espectador assistia a en -cenação das tragédias, observando o que ocorria às personagens em consequência de seus erros, de suas desmedidas, esse es-pectador reavaliaria seus próprios impulsos, suas próprias emo-  372 R EVISTA  S EMESTRAL   DO  P ROGRAMA   DE  P ÓS - GRADUAÇÃO   EM  L ETRAS  - U FES ções “funestas”, e pouparia a si e aos outros de possíveis erros trágicos, que pudessem desestabilizar a família e a sociedade. Tal acontecia, como se disse, mediante o terror – diante de uma ação “trágica” (traições, assassinatos) e mediante a piedade (por aqueles que eram vítimas dessas ações). Por meio desses conceitos, analisamos a tragédia Medéia , de Eurípides (1991), extraindo da obra as passagens que nos são relevantes, esclarecendo em que medidas podem ser compreen-didas como hybris, peripécia e reconhecimento, conduzindo à ideia de catarse aristotélica. Entre hybris, peripécias e reconhecimentos: elos para a catarse Os elementos trágicos começam a surgir em Medéia  nos mi-tos anteriores à tragédia de Eurípides, pois a personagem Medéia comete as primeiras desmedidas, aqui nomeadas também como hybris, ainda no mito dos  Argonautas , quando ajuda Jáson a ven- cer os desaos impostos pelo seu pai, para assim conquistar o velocino de ouro. Com essa atitude, Medéia trai seu próprio pai, ação através da qual estabelecemos seu primeiro erro trágico. Após, ao fugir de sua terra natal, a Cólquida, junto com Jáson, o rei Aietes envia o irmão de Medéia para persegui-los; nessa per-seguição, a heroína mata o irmão e comete sua segunda hybris. Mais adiante, ainda no mito dos  Argonautas , Medéia, ao chegar em Iolco, comete sua terceira desmedida: instigada por Jáson, induz as lhas do rei Pélias a matarem-no, enganando-as e ge -rando a revolta da população. Somente no mito dos  Argonautas , Medéia comete três hy-bris, sendo que cada um desses erros ocasionaram uma peripé-
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