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Um debate sobre currículo e didática em música na realidade escolar do CAp-UERJ
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  Interlúdio - Ano 4, n. 5 - 2016 29 Um debate sobre currículo e didática em música na realidade escolar do CAp-UERJ João Miguel Bellard Freire Escola de Música (UFRJ)  jmbfreire@yahoo.com   Resumo : Este trabalho discute a relação entre currículo e sua concretização na prática  pedagógica, enfatizando questões de respeito à diversidade humana e de responsabilidade social. Essa discussão será baseada no currículo de música do Colégio de Aplicação da UERJ (CAp-UERJ) e em minha experiência como docente desta instituição ao longo de 11 anos.  Numa perspectiva fenomenológica, defendo que a relação com o currículo de uma instituição se dá de forma subjetiva, construída a partir da minha formação e experiências pessoais. Para uma melhor compreensão sobre meu posicionamento, apresento minha formação e minha linha de atuação em termos teóricos e discuto como o diálogo entre currículo e didática se faz presente no trabalho de sala de aula. Palavras-chave : Currículo de Música; Didática; Colégio de Aplicação da UERJ. A debate on curriculum and didactics in music in a school reality of CAp-UERJ Abstract : This study discusses the relationship between curriculum and its implementation as  pedagogical practice, while emphasizing questions regarding respect to human diversity and social responsibility. This discussion is anchored in the musical curriculum at Colégio de Aplicação da UERJ (CAp-UERJ) and my experience as faculty of this institution for eleven years. Using a phenomenological perspective, I propose that the relationship with the institutional curriculum is a subjective one, built upon my academic background and personal experiences. To better understand my position, I present my academic background and practice in theoretical terms, while discussing the dialogue between curriculum and didactics in the classroom work. Key-words : Musical Curriculum; Didactics; Colégio de Aplicação da UERJ. Um debate sobre el currículo y la didáctica en la música en la realidade escolar del CAp-UERJ Resumen:  este trabajo discute la relación entre currículo y su concretización en la práctica  pedagógica, enfatizando cuestiones de respeto a la diversidad humana y de responsabilidad social. Esta discución está basada en el currículo de música del Colégio de Aplicação da UERJ (CAp-UERJ) y en mi experiencia como docente de esta institución a lo largo de 11 años. En una  perspectiva fenomenológica, defiendo que la relación con el currículo de una institución ocurre de forma subjetiva, elaborada desde mi formación y experiencias personales. Para una mejor comprensión acerca de mi posicionamiento, presento mi formación y mi línea de actuación en términos teóricos y discuto como el diálogo entre currículo y didáctica se hace presente en el trabajo en salón de clases. Palabras clave:  Currículo de Música; Didáctica; Colégio de Aplicação da UERJ.  Interlúdio - Ano 4, n. 5 - 2016 30 Introdução Este trabalho aborda o currículo de música na Educação Básica no Rio de Janeiro, enfocando o Colégio de Aplicação da UERJ (CAp-UERJ), instituição da qual fui professor por 11 anos. A abordagem vai ser uma discussão de minha trajetória  pessoal e profissional em diálogo com a proposta do colégio para a disciplina Música.   Entendo que nossa prática pedagógica se constrói com base em nossa formação acadêmica, mas que, também, vai se aprimorando ao longo de nossa trajetória como  profissionais. Muitas vezes, percebemos conflitos entre o que aprendemos e o que vemos na realidade como professores e temos que avaliar e reestruturar nossa atuação,  buscando um melhor resultado. E isso é um exercício constante. Estou convencido de que nosso aperfeiçoamento se dá nessa atitude de abertura  para o que vemos, mas isso não deve se limitar a uma reflexão baseada somente em nossas opiniões e conhecimentos. O diálogo com a literatura, assim como a realização de pesquisas e a busca por uma formação continuada são atividades essenciais para encontrarmos novas respostas. Passo, a seguir, a abordar minha formação, bem como algumas teorias e autores que me influenciaram, situando-as em minha formação e em minhas atividades de  pesquisa. Descreverei, também, a disciplina Música no Colégio de Aplicação, enfocando seu currículo. Mostrarei como em minha atuação como docente, interagi com esse currículo, aplicando ideias e conceitos que trouxe de minha formação, bem como outras decorrentes da realidade da sala de aula. Considero importante ressaltar que esta exposição não tem a pretensão de ser uma prescrição, mas um relato de minha experiência, na esperança de que as reflexões e atividades que desenvolvi possam estimular outros em suas experiências e reflexões. Formação acadêmica e embasamento teórico Começo por minha formação. Sou licenciado em Educação Artística, com habilitação em Música pela UNIRIO (2000). Fiz Mestrado na UFRJ, na área de Etnomusicologia, tendo concluído meu curso em 2003. Realizei meu Doutorado entre 2009 e 2013 na UNIRIO, desta vez na área de Práticas Interpretativas. Esta trajetória diversificada me foi bastante importante, pois me abriu para diferentes questões presentes na prática docente. Na Licenciatura, destaco o contato com as diferentes metodologias ativas, bem como os textos sobre Musicologia e  Interlúdio - Ano 4, n. 5 - 2016 31 Educação. No Mestrado, o contato com as teorias da Etnomusicologia e da Antropologia enfatizaram o relativismo. No Doutorado, os textos filosóficos sobre o tempo e fenomenologia, bem como as discussões da área de práticas interpretativas foram muito importantes. Detalho, agora, alguns conceitos e teorias que influenciam minha didática: 1.   Etnomusicologia Autoridade etnográfica: Clifford (1998) discute os problemas na representação do outro na pesquisa e reforça o compromisso ético na pesquisa etnográfica, entendendo que essa representação pode se aproximar mais da realidade quando, ao invés de falarmos em nome dos sujeitos estudados, damos espaço, em nosso relato, para as manifestações dos próprios sujeitos. Cultura: não é algo estático, sofre transformações (NETTL, 2002) e não é imune a influências. A ideia de uma cultura nacional única não é real. Diversas culturas coexistem em um país (e mesmo em uma cidade) e isso desfaz a ideia de pureza cultural e de que existem manifestações culturais que não devem ser reconhecidas, quer seja devido a uma srcem malvista socialmente, quer seja por ser considerada comercial, entre outras possibilidades. Além disso, não podemos pretender que a palavra música designe uma mesma manifestação para todos. 2.   Dialética e fenomenologia Foram duas correntes que estudei ao longo do mestrado e do doutorado. Isso se deveu, em parte, aos professores que tive, mas, também, passou a ser uma escolha metodológica, pois adotei essas concepções em meus trabalhos. Da dialética, destaco a superação do conflito entre opostos através de uma síntese e a busca por entender os fenômenos em sua totalidade, sem isolá-los ou fragmentá-los. Da fenomenologia, destaco a não separação entre sujeito e objeto (FREIRE, 2010), reconhecendo que tanto a descrição de faço de um fenômeno quanto a escolha deste como foco de estudo estão fundados em minha experiência e, portanto, são subjetivos. Descrevemos nossa interação com as coisas, sem pretender uma neutralidade, que, de fato, não existe. 3.   Concepção pós-moderna de educação Defende a integração entre objetividade e subjetividade do sujeito, como polos opostos e complementares. Esse pensamento se opõe à concepção moderna que,  privilegiando a objetividade, acabou por negar o sujeito (POURTOIS; DESMET, 1999). Transpondo para a Educação Musical, podemos pensar em não se ater aos aspectos mais  Interlúdio - Ano 4, n. 5 - 2016 32 facilmente observáveis do fenômeno musical, como, por exemplo, no caso do tempo musical, desenvolver um trabalho voltado para aspectos mais quantitativos (como ritmo e métrica) deixando de valorizar aspectos como qualidade de movimento, papel expressivo do silêncio, direcionalidade, entre outros, que são mais subjetivos. Essa concepção de educação recebeu contribuições da dialética e da fenomenologia. 4.   Saberes docentes Tardiff (2002) discute a importância da subjetividade do professor e o reconhecimento de seus saberes oriundos da experiência docente. Ou seja, o professor é ator de sua história, sujeito ativo de sua prática, não se reduz a um aplicador de teorias  produzidas por peritos ou um reflexo das forças sociais que o fazem agir. Segundo o autor, “os professores de  profissão possuem saberes específicos que são mobilizados, utilizados e produzidos por eles no âmbito de suas tarefas coti dianas.” (TARDIFF, 2002, p.113). Os professores são, nesse entendimento, os principais atores e mediadores da cultura e dos saberes escolares. [...] Nesse sentido, interessar-se pelos saberes e pela subjetividade deles é tentar penetrar no  próprio cerne do processo concreto de escolarização, tal como ele se realiza a partir do trabalho cotidiano dos professores em interação com os alunos e com os outros atores educacionais. (ibidem, p. 113) Ao compreender que o professor desenvolve saberes que derivam de sua prática, eles são, necessariamente, subjetivos, fruto de suas experiências pessoais. Currículo, responsabilidade social e diversidade humana Entendo que a discussão de currículo, atrelada à diversidade humana e responsabilidade social, passa por nos reconhecermos como sujeitos ativos, que interagem com seus alunos, em instituições que trazem concepções sobre educação e, consequentemente, currículos estruturados, além de termos que lidar com a legislação vigente. Ao reivindicarmos nosso papel nessa trama, valorizamos nossa atuação e assumimos responsabilidade por nossas ações, sem ficarmos, somente, culpabilizando os demais atores que, em seus diferentes papéis, interagem conosco em nosso trabalho. Com esse posicionamento posto em prática, entendo que a ética e a responsabilidade social ficam explicitadas em nossa atuação. Sobre a valorização das diferenças, é preciso lembrar que não existe uma acepção única de música. Cada um traz uma definição pessoal do que é música, e é

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